LoveLife é uma ONG que actua num terreno difícil, o da mudança de mentalidades na África do Sul. Num a país onde 1 em cada 5 adultos sucumbe ao vírus HIV, a concepção de programas de prevenção do HIV/AIDS nos jovens sul-africanos é uma das prioridades sociais, nomeadamente no domínio de saúde pública. A estrutura demográfica sul-africana aponta para 40% da população tem menos de 15 anos e pesquisas realizadas verificaram que 50% das infecções são transmitidas por jovens com menos de 20 anos. Neste grupo etário onde o risco é altamente elevado, aliam-se factores críticos de insucesso como diagnóstico raro, tratamento caro e o desenvolvimento de drogas anti-retrovirais concebidas para adultos não permite que sejam tratadas.
O excesso de população jovem aliado a factores culturais inerentes à estrutura social da população da Africa do Sul torna este país vulnerável a esta doença. A natureza ciclicamente arranja naturalmente uma solução para estes problemas, porém, algo está em causa: o futuro da juventude sul – africana. Uma das estratégias da
loveLife consiste em associar as técnicas de branding à formação de atitudes nos jovens africanos.
Numa óptica de marketing social, esta ONG pretende associar-se a marcas globais que traduzem estilos de vida aspiracionais para os jovens, com o objectivo de alterar comportamentos sexuais. A tomada de consciência destes programas resulta numa maior tomada de consciência dos riscos do HIV/AIDS.
A colagem comercial de marcas de culto como, a Sprite, Nike, Calvin klein e Levi’s em parceria com a
loveLife, resultaram num reflorescimento comercial das mesmas.
A lógica capitalista das marcas funciona, inevitavelmente, mas,
loveLife não mascara as suas intenções altruístas: incutir nos jovens comportamentos que permitam desfrutar sexo seguro ou induzir a uma abstinência sexual dos jovens (numa tentativa de ser percepcionada como cool).
A mensagem desta organização focalizada nos jovens visa plasmar nas histórias de vida, nas suas vivências sexuais, três opções fundamentais:
escolha informada, responsabilidade partilhada e uma sexualidade positiva.
A realidade europeia ou portuguesa é bem diferente, quer ao nível demográfico ou cultural, mas os riscos e os casos da HIV/AIDS nos jovens são cada vez mais reais. No seguimento desta lógica comercial e social, marcas como a Frize ou uma Yorn deveriam alinhar-se, ou seja, ir ao encontro das percepções que tornam mais conscientes os riscos de HIV/AIDS.
Foto: UNICEF